Arquivo mensal: julho 2013

O tempo da paixão

— Nossa, Mamãe, como você é inteligente!

Isso, porque “adivinhei” que seus chinelos estavam debaixo da cama. O pai concorda e reitera o elogio. Sem medo do exagero, você corrobora:

— Inteligente, bonita e sereinha!

Anúncios

Aqui em Fortaleza

1069962_677799995567968_1223887006_n

– Um brinde com a garrafa de refrigerante! – você exclama, excitado com o primeiro dia de férias na praia. E bate a cabeça contra a garrafa, o que visivelmente dói.

Mas você continua sorridente.

– Nossa, como são duras as garrafas aqui em Fortaleza!

O livro e a máquina

bazar_cabeceira

Deitado no meu colo, ouvindo alguém falar sobre choro na TV:

– Sabe como se escreve chorar, Mamãe? Cê, agá, ó, érre, á, érre.

– Isso mesmo, filho.

Paro pra pensar no quanto o mundo se multiplica para quem aprende a ler e escrever.

– Você sabe que escrevi um livro pra você, filho?

– Escreveu??? Cadê?

Eu me levanto para buscar o livro.

– É o Para Francisco? 

Eu confirmo. Você pega a capa e lê devagarzinho a cinta que envolve o livro:

– Mais-que-um-li-vro-so-bre-o-a-mor. Um-li-vro-es-cri-to-por-a-mor.

Abro o livro e sugiro que você leia a dedicatória:

– Para Francisco. Para Guilherme. E se a gente construisse a máquina do tempo, eu ia encontrar meu pai Guilherme, né, Mamãe?

Talvez o livro seja isso, filho. Uma espécie de máquina do tempo.

O mordomo

– Mãe, eu vou ser seu mordomo. Vai lá, Mamãe, eu vou abrir a porta do carro pra você. Isso. Eu sou seu mordomo.

(…)

– Mamãe, não abre a porta pra mim! Eu sou seu mordomo!

(…)

– Hum, que gostoso, filho. Você passando o sabonete nas minhas costas!

– É porque eu sou seu mordomo, Mamãe.