Na volta da viagem

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— Mamãe, esses dias eu fiquei com a estrelinha na mão na hora de dormir, porque eu pensava em você toda hora.

—  É mesmo, filho?

— Você acha que eu sou o quê? Um malandro que não te ama?

 

O tempo da paixão

— Nossa, Mamãe, como você é inteligente!

Isso, porque “adivinhei” que seus chinelos estavam debaixo da cama. O pai concorda e reitera o elogio. Sem medo do exagero, você corrobora:

— Inteligente, bonita e sereinha!

Aqui em Fortaleza

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– Um brinde com a garrafa de refrigerante! – você exclama, excitado com o primeiro dia de férias na praia. E bate a cabeça contra a garrafa, o que visivelmente dói.

Mas você continua sorridente.

– Nossa, como são duras as garrafas aqui em Fortaleza!

O livro e a máquina

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Deitado no meu colo, ouvindo alguém falar sobre choro na TV:

– Sabe como se escreve chorar, Mamãe? Cê, agá, ó, érre, á, érre.

– Isso mesmo, filho.

Paro pra pensar no quanto o mundo se multiplica para quem aprende a ler e escrever.

– Você sabe que escrevi um livro pra você, filho?

– Escreveu??? Cadê?

Eu me levanto para buscar o livro.

– É o Para Francisco? 

Eu confirmo. Você pega a capa e lê devagarzinho a cinta que envolve o livro:

– Mais-que-um-li-vro-so-bre-o-a-mor. Um-li-vro-es-cri-to-por-a-mor.

Abro o livro e sugiro que você leia a dedicatória:

– Para Francisco. Para Guilherme. E se a gente construisse a máquina do tempo, eu ia encontrar meu pai Guilherme, né, Mamãe?

Talvez o livro seja isso, filho. Uma espécie de máquina do tempo.

O mordomo

– Mãe, eu vou ser seu mordomo. Vai lá, Mamãe, eu vou abrir a porta do carro pra você. Isso. Eu sou seu mordomo.

(…)

– Mamãe, não abre a porta pra mim! Eu sou seu mordomo!

(…)

– Hum, que gostoso, filho. Você passando o sabonete nas minhas costas!

– É porque eu sou seu mordomo, Mamãe.

Cachê

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(foto Bárbara Dutra)

 

– Parabéns, filho, você desfilou muito lindo, estou orgulhosa de você! – diz a mãe, certa de que o filho está começando uma carreira de modelo aos 6 anos de idade.

– E então, Mãe, cadê meus 200 reais? – responde o filho, preocupado com o retorno financeiro de sua nova vocação.

Escolha

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(ilustração Mariana Guedes)

 

Numa semana em que a geladeira de casa estava cheia de picolés – mimo do seu pai que fez você se sentir a criança mais rica do mundo –, recebemos uma equipe de reportagem em casa para me entrevistar sobre a minha mudança de profissão. Insistindo pra que você também participasse da entrevista, eles disseram:

– Você quer ficar famoso, Francisco?

E assim conseguiram convencer você a se sentar ao meu lado enquanto eu respondia às perguntas. A um dado momento, no meio da entrevista, você fala ao meu ouvido:

– Pensando bem, Mamãe, eu não quero ficar famoso não. Prefiro chupar picolé.

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Lição

– O que você tá fazendo, Mamãe?

– Mandando uma mensagem pro Didi.

– Didi, não. Meu pai. Você chama ele de Lindo, porque casou com ele.

 

Sonhos

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(ilustração Mariana Guedes)

 

– Meu sonho é que você seja muito feliz, filho.

– E o meu sonho é que você tenha um casaco de diamantes.

(Eu já tenho, filho. Só esse seu sonho pra mim já é um casaco de diamantes)

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